maandag 4 januari 2010

Brasil & Sting (Português, English, Español)

ting e Raoni se reencontram em São Paulo e falam sobre Belo Monte
[23/11/2009 11:19]

Depois de 20 anos, o cantor britânico Sting e o cacique kayapó Raoni reuniram-se em São Paulo neste domingo (22/11) para conversar sobre a construção da hidrelétrica de Belo Monte, razão que os uniu pela primeira vez, em fevereiro de 1989, em Altamira, no Pará.

Foi um reencontro emocionado de dois velhos amigos. O cantor Sting, ex-líder da banda The Police e o líder dos índios kayapó Raoni, abraçaram-se em São Paulo e conversaram sobre a questão da construção hidrelétrica de Belo Monte (principal obra do Programa de Aceleração do Crescimento – PAC – do governo federal). O motivo continua sendo o mesmo que os uniu há vinte anos e continua em pauta já que a licença prévia para a usina deve ser concedida em janeiro de 2010. Depois, ambos receberam a imprensa para uma entrevista coletiva. À noite, cantaram juntos em show que o cantor fez na cidade.

Em 1989 como hoje, os povos indígenas da região não querem a hidrelétrica, que irá trazer inúmeros impactos a eles e aos ribeirinhos também. Em 1989 como hoje, as populações tradicionais têm a mesma queixa: não estão sendo ouvidas nem consultadas.

Decisão é do povo brasileiro

Durante a coletiva, Sting afirmou que a decisão de construir Belo Monte é do povo brasileiro e que ele, como estrangeiro, só poderia reforçar a importância de que todos os brasileiros precisam ser ouvidos. “Governo não conversou com índio”, disse o líder kayapó Megaron, sobrinho de Raoni, presente ao encontro. “Índio não sabe o que é audiência pública. Pensa que é ir lá para brigar”, afirmou. “Governo não sabe ouvir índio. Lula quer usar seu poder para fazer Belo Monte de qualquer jeito”.

O cacique Raoni, falando em língua kayapó, lembrou de quando foi condecorado por Lula. "Quando o presidente me deu medalhas eu perguntei se ele ia assinar a barragem. Ele disse que não ia assinar. Mas ele nunca nos juntou para discutir sobre a barragem. Por isso fico preocupado. Será que ele vai assinar"? E depois mandou um recado plea imprensa presente: "Não quero barragens no Rio Xingu. Espalhem isso".

Raoni também fez questão de dizer que os kayapó querem paz para seus filhos e netos. Afirmou que seu povo está crescendo, que vive da caça e da pesca, de peixe. “Quero comida para meu povo”, disse o cacique.

Belo Monte na ONU
Sting contou aos jornalistas que sua mulher Trudie - com quem fundou a Rainforest US em 1989, depois de ter participado do encontro de Altamira - havia falado na Assembléia Geral da ONU na semana passada contando a história de Raoni e o caso da hidrelétrica de Belo Monte.

"Há 20 anos eu tinha a intuição de que a floresta era importante para o planeta e há algum tempo a ciência comprovou isso”. Sting relembrou a viagem que fez com Raoni a muitos países do mundo divulgando a importância de demarcar os territórios indígenas e levando o protesto dos indígenas contra a construção de Belo Monte.

O primeiro projeto da Rainforest recém-criada foi apoiar o reconhecimento oficial da Terra Indígena Mekragnoti, Kayapó. Em 1991, a TI foi demarcada.

Na década de 1990, a Rainforest passou a apoiar projetos no Parque Indígena do Xingu, em parceria com o ISA. Entre eles, o monitoramento dos limites do Parque para prevenir invasões e o desenvolvimento de um sistema de educação bilíngue para 14 etnias que ali vivem, estimulando o desenvolvimento sustentável e apoiando a Associação Terra Indígena do Xingu (Atix). O Parque Indígena do Xingu é hoje uma ilha verde preservada no coração do Mato Grosso, pressionada de todos os lados pela expansão da fronteira agrícola.

Também no caso dos índios Panará, a Rainforest Foundation e o ISA desempenharam papel fundamental no retorno desse povo ao seu território ancestral, em 1996, 25 anos depois de um exílio forçado no Parque do Xingu para onde foram levados após quase terem sido totalmente dizimados pela construção da BR 163, rodovia que liga Cuiabá a Santarém, na década de 1970. Os Panará também obtiveram uma vitória histórica, em 2003, ao serem indenizados pelo governo brasileiro por decisão da Justiça. (Saiba mais).

Raoni convidou Sting para participar da inauguração da nova aldeia Kayapó, em abril do ano que vem. O cantor disse que tentaria ir e levaria sua mulher Trudie.

O Encontro de 1989
O ISA sempre acompanhou de perto os debates sobre Belo Monte. Já em 1988, por meio do Programa Povos Indígenas no Brasil, do Centro Ecumênico de Documentação e Informação (Cedi), uma das organizações que deu origem ao Instituto Socioambiental (ISA), denunciou os planos de construir hidrelétricas e outras obras de infraestrutura na Amazônia, sem consulta aos povos indígenas, e mobilizou a opinião pública contra essa arbitrariedade.

Para avançar na discussão sobre a construção de hidrelétricas, lideranças kaiapó reuniram-se na aldeia Gorotire em meados de 1988 e decidiram pedir explicações oficiais sobre o projeto hidrelétrico no Xingu, formulando um convite às autoridades brasileiras para participar de um encontro a ser realizado em Altamira (PA). A pedido do líder indígena Paulo Paiakan, o antropólogo Beto Ricardo e o cinegrafista Murilo Santos, do Cedi, participaram da reunião, assessorando os kaiapó na formalização, documentação e encaminhamento do convite às autoridades.

Na seqüência, uniram-se aos kaiapó na preparação do evento. O encontro finalmente aconteceu e o Cedi, com uma equipe de 20 integrantes, reforçou sua participação no encontro. Ao longo desses anos, o Cedi, e depois o ISA, acompanharam os passos do governo e da Eletronorte na questão de Belo Monte, e os impactos que provocaria sobre as populações indígenas, ribeirinhas e todo o ecossistema da região.

O I Encontro dos Povos Indígenas do Xingu acabou ganhando imprevista notoriedade, com a maciça presença da mídia nacional e estrangeira, de movimentos ambientalistas e sociais e do cantor Sting, na época líder da banda The Police, que é sucesso até hoje embora tenha se dissolvido. Cerca de três mil pessoas participaram do evento, entre elas 650 índios de diversas partes do país e de fora, lideranças como Raoni, Marcos Terena, Paulo Paiakan e Ailton Krenak; autoridades como o então diretor da Eletronorte, e hoje presidente da Eletrobrás, José Antônio Muniz Lopes, o então presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Fernando César Mesquita, deputados federais; 300 ambientalistas, e cerca de 150 jornalistas.

Foi nessa ocasião que a índia Tuíra, prima de Paiakan, levantou-se da platéia e encostou a lâmina de seu facão no rosto do diretor da estatal num gesto de advertência. A cena correu o mundo, reproduzida em jornais de diversos países e tornou-se histórica. O evento foi encerrado com o lançamento da Campanha Nacional em Defesa dos Povos e da Floresta Amazônica, exigindo a revisão dos projetos de desenvolvimento da região, a Declaração Indígena de Altamira e uma mensagem de saudação do cantor Milton Nascimento. O encontro de Altamira é considerado um marco do socioambientalismo no Brasil.
http://www.povosindigenas.org.br/nsa/detalhe?id=3005

ENGLISH
Sting shows support for Kayapo people

Source: Indian Country Today

The rock star Sting and Kayapo leader Raoni Metyktire first came together to protest the building of a hydroelectric dam in Brazil in 1989; more than 20 years later they are staging a similar battle.

On Nov. 23, Sting and Metyktire gave a press conference in Sao Paulo, Brazil to once again protest the building of a $17 billion hydroelectric plant along the Xingu River in the northern province of Para. Metyktire’s Kayapo people are among the 24 different indigenous communities that rely on the Xingu; and he along with many other Native leaders have been protesting this project in the last year.

The Belo Monte Dam would be the third largest facility of its kind in the world and would produce 11,000 megawatts of electricity. However, indigenous and allied critics of the plan assert that, as a result of the subsequent flooding, the project would have a severe impact on large tracts of surrounding rainforest and on hundreds of indigenous communities. More than 14,000 indigenous people live along the Xingu and are dependant on it for their livelihoods.

“This is the heart of the Amazon and what happens here affects the whole world,” Sting said at the press conference.

“We need to save this forest; deforestation is the biggest contributor to the development of greenhouse gases. This goes beyond industrial pollution, beyond the use of fossil fuels for transportation or heating.”

In his comments, he said, “there are economic reasons” driving the need for the project and that Brazil needs to resolve the problem without destroying the environment.

“We are looking to Brazil for leadership.”

The musician, who has lent his support to environmental protests all over the world and is a founder of the Rainforest Foundation, also said the indigenous residents of the affected area were upset because the information they received was “inadequate and that their voices were not being heard.”

When asked if official claims that the flooded area would be much smaller than previously described and that steps would be taken to protect indigenous territories, Metyktire said details were not made clear to the indigenous communities.

“The authorities never convened a meeting with us, with our leaders to explain that to us; and to give us prior consultation. If they had done that, we would have understood this better.”

One of the other activists working with the Kayapo, Andrea Leme da Silva of Conservation International, also said the prior consultations with indigenous people were inadequate.

“The local traditional people, such as the indigenous and river communities, did not know of the true impact of this project.

“I believe we will pay a very high price in terms of the environment and the society at large.” Da Silva, who is the director of CI’s Indigenous and Traditional Peoples Program, said scientists had already shown that the Xingu River basin had the same amount of fish biodiversity as all of Europe.

“And on the social side, the Xingu is an indigenous river. There are 24 distinct ethnic groups that live there and these groups have their ancestors and their histories that the government has not considered.”

The Kayapo are the largest of the affected indigenous communities and, according to information provided by CI, “the Kayapo nation controls, legally and physically, a continuous block of the Amazonian forest totaling 28.4 million acres – roughly the size of Ohio and by far the planet’s largest block of tropical forest protected by a single indigenous group. They live much as their ancestors did, practicing sustainable use of wildlife, with an egalitarian social structure and decision making by consensus.”

The day after the Sao Paolo press conference the Brazilian government announced it would delay accepting bids for the construction of the Belo Monte Dam until January, as it had not acquired all of the environmental licenses needed to proceed.

While no other information about the Belo Monte Dam has been published since the November event, Brazilian President Luiz Inacio Lula da Silva announced Dec. 24, “the creation of nine new indigenous areas that would cover 19,000 square miles.” These areas would be located west of the Xingu River basin and included territory occupied by isolated peoples.


ESPAÑOL
Sting e indígenas contra presa amazónica
Gary Duffy

BBC, Sao Paulo

Los indígenas se oponen a la construcción de una hidroeléctrica en la amazonia brasileña.
La estrella de rock Sting utilizó su más reciente visita a Brasil para pedirle al gobierno de ese país que escuche las quejas de los indígenas frente a la propuesta de construir una nueva presa hidroeléctrica en la región amazónica.

Sting participó en una conferencia de prensa en Sao Paulo donde se reencontró con el dirigente indígena Raoni Metyktire, quien lo acompañó en una campaña similar hace 20 años.

Las tríbus indígenas amazónicas dicen que el proyecto Belo Monte, que sería la tercera presa hidroléctrica más grande del mundo, representa una amenaza a su modo de vida.

Una pareja que llamó la atención

Sting dijo que Brasil estaba en la primera línea de la lucha contra el cambio climático y que hoy era aún más importante que hace 20 años escuchar las voces de aquellos que viven ahí.

En su campaña anterior, Sting y el jefe Raoni visitaron muchas partes del mundo en oposición a un proyecto hidroeléctrico en el río Xingu, en la Amazonia.

Los indígenas afirman no haber sido consultados sobre el proyecto.

Esa resultó ser una combinación que llamó mucho la atención, una estrella de rock junto a la figura impactante de un dirigente indígena cuyo labio inferior ha sido expandido en varios centímetros por una placa tradicional, una señal propia de su tribu.

Con la renovada atención mundial a la causa de proteger la Amazonia, el proyecto hidroeléctrico original fue abandonado, pero ahora el gobierno brasileño está proponiendo un nuevo diseño que, argumenta, es más amigable al medio ambiente.

Los críticos insisten que la presa de Belo Monte aún inundaría grandes áreas de bosque lluvioso, tendría un impacto severo sobre las poblaciones de peces, y socavaría el modo de vida de miles de indígenas.

"Impacto amplio"

Sting dijo a la BBC que, aunque la decisión era sólamente de los brasileños, el debate tenía un impacto mucho más allá de la nación más grande de América del Sur.

"Este es el corazón del Amazonas y lo que pase aquí afecta a todo el mundo", señaló.

"Esa era mi intuición pero ahora la ciencia lo respalda, es decir hay ciencia sustancial que asegura que es cierto".

Este es el corazón del Amazonas y lo que pase aquí afecta a todo el mundo
Sting

"Necesitamos salvar este bosque", agregó Sting. "La deforestación es la mayor contribución a los gases con efecto de invernadero. Mucho más allá de la polución industrial, mucho más allá que el uso de combustibles fósiles para el transporte o para calefacción".

El cantante subrayó la manera como se manejó la reciente crisis financiera y sugirió que la misma estrategia se necesitaba para el medio ambiente.

"Es muy grande y muy importante como para dejarlo fracasar, porque sin medio ambiente no hay economía", señaló.

"Brasil debe decir, OK, así es como resolvemos este problema, así es como seguimos desarrollando pero no destruimos el activo. El activo es increiblemente importante".

"Estamos mirando hacia Brasil por su liderazgo", agregó.

Consultas

A comienzos de mes la tribu Kayapo llevó a cabo protestas contra el proyecto.
El conocido cantante dijo que era crucial llevar a cabo un proceso integral de consultas acerca de Belo Monte.

"No puedo pretender ser un experto en energía hidroeléctrica; eso es ridículo. Al mismo tiempo, quiero que se oigan todos los argumentos a favor y en contra. Esa es mi única preocupación. De ahí en adelante es asunto del pueblo brasileño".

Los dirigentes indígenas están molestos porque creen que las consultas llevadas a cabo hasta el momento han sido inadecuadas y sus voces no están siendo oidas.

Las autoridades dicen que la zona a ser inundada es mucho menor a la que se había previsto anteriormente y que se pueden tomar pasos para proteger a los territorios indígenas.

"Precio muy alto"

Pero cuando se le pregunta sobre esas aseveraciones, el jefe Raoni dice que eso no se le ha dejado en claro a su pueblo.

"Las autoridades nunca han convocado a una reunión con nosotros, con nuestros dirigentes para explicarnos eso, para tener consultas sobre Belo Monte", aseguró.

"Si lo hubieran hecho, habríamos entendido mejor las cosas. Eso es lo que creo que está mal".

Andrea Leme da Silva, coordinadora del programa de Pueblos Indígenas y Tradicionales de Conservation International, dijo que las consultas habían sido inadecuadas.

"Los pueblos locales tradicionales, como las comunidades indígenas y ribereñas, no están al tanto del verdadero impacto", dijo.

Yo creo que pagaremos un precio muy alto en términos ambientales y sociales
Andrea Leme da Silva, Conservation International

"Yo creo que pagaremos un precio muy alto en términos ambientales y sociales".

La cuenca del Xingu, de acuerdo a especialistas, tiene la misma biodiversidad en peces que toda Europa.

"Del lado social, el Xingu es un río indígena", añadió da Silva.

"Hay 24 grupos étnicos distintos que viven ahí. Esos grupos tienen sus ancestros y su historia, que el gobierno no ha considerado".

Se dice que una decisión acerca de la licencia ambiental para la presa de Belo Monte es inminente, pero el debate que rodea esta propuesta parece tan contencioso ahora como lo era hace dos décadas.

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